Tuesday, September 8, 2009

.do ciclo.

E completa-se o ano.
Um ano sem vestir terno todos os dias.Um ano sem pubs. Um ano sem "good morning, babe". Um ano sem domingos-nos-parques.Um ano sem muffins. Um ano sem sair do trabalho e encontrar as pessoas que me ensinaram a amar numa terra fria e molhada. Um ano sem chuva constante. Um ano sem starbucks. Um ano sem staff meals. Um ano sem encontros multinacionais. Um ano sem carteirinha ilimitada de cinema. Um ano sem "hoje não quero trabalhar". Um ano sem compras de 5 DVDs em liquidação. Um ano sem ganhar dinheiro. O meu dinheiro. Um ano sem ir na conveniência comprar minha janta. Um ano sem roubar o sinal da internet de um tal de Tom. Um ano sem ligar o aquecedor. Um ano sem subir a Grafton Street e sorrir para um artista de rua. Um ano sem voltar andando para a casa inventando um caminho diferente. Um ano sem clientes gritando comigo. Um ano sem andar de avião. Um ano sem aprender palavras em línguas diferentes. Um ano solteiro. Um ano sem sexo. Um ano sem paixão.
O mesmo ano que me mostrou o quanto mudei.O mesmo ano que me mostrou o quanto mudaram.O mesmo ano que me ensinou que objetivos são sim alcançados. O mesmo ano que descobriu um fotógrafo em mim.O mesmo ano que me ofereceu a comida mais gostosa do mundo. O mesmo ano que me trouxe reencontros.O mesmo ano que me trouxe pessoas novas.O mesmo ano que me aproximou ainda mais de quem já era próximo. O mesmo ano que me ensinou a gostar do calor, mesmo que só um pouquinho.O mesmo ano que me tapou os olhos para meu futuro.O mesmo ano que pude passar com a minha família.O mesmo ano que me me aproximou da minha família.O mesmo ano que me mostrou que tudo tem seu tempo. Coisas, pessoas e eu. O mesmo ano que me me fez enfrentar medos.O mesmo ano que me fez superar rancores e mágoas. O mesmo ano que me fez sorrir ao ver crianças. O mesmo ano que me matou as saudades.

E eu sigo os dias contando com a única certeza: minha dualidade.

Tuesday, March 3, 2009

.da.confusão.

Num bar, à meia luz:

(...)
- Se não vai não desvie a minha estrela... - ameaça o Primeiro.
- Praonde?! - indaga o Segundo, incrédulo.
- Será que é um zing boom? - intromete-se o Terceiro. 
- O que não tem remédio, remediado está. - suscinto,  o Quarto tenta amenizar os ânimos. 
Eis que um sujeito alheio ao grupo dispara um tiro, cheio de ódio.
*bang, bang
- Sometimes even right is wrong. - ecoa o sussurro por entre o cheiro de pólvora.

--- x ---

Ou minha imaginação anda fértil demais, ou ando gastando tempo demais no computador. 
Nessa sequência, o que está em itálico eram frases de nick no MSN. O resto foi por conta. 
(agredecimentos aos que participaram da cena fictícia)

Thursday, February 19, 2009

.do.peixe.fora.d'água.

Se meu coração tropical está coberto de neve, não sei. 

A questão é que meu espírito carnavalesco foi exorcisado. Sobram opções, faltam animações
E mesmo que eu mande em garrafas mensagens por todo o mar, o tal espírito não volta. 
Tenho pedido muita coisa, por sinal, e tenho conseguido... nada

Provavelmente o feriado de carnaval será solitário, até porque os que não gostam se entregam a ele ao que parece. 

E eu espero. Feito um pierrot pela colombina em Veneza. 

Que venham as febres loucas que mancham o silêncio e o cais. 

Saturday, November 22, 2008

.do.instante.

naquela fração de segundo, viu-se levantar a mochila para aprontar-se e partir. não mais que de repente, viu o frasco de perfume dar um triplo mortal para fora do zíper semi-aberto. numa batida cardíaca simétrica, sistólica, sistemática e quase silenciosa viu o tempo diminuir, praticamente parar. quis fechar os olhos e pensar que aquilo não estava acontecendo. o som que subiu-lhe na garganta foi emudecido pelo estilhaçar do frasco. viu o vidro se partindo em dúzias de cacos. não. não tinha mais simetria, nem batidas sistólicas, nem silêncio. o som ecoou nos ouvidos. perpetuou. chocou-se com a perda. as pernas flexionaram, quase que numa atitude inconsciente de penitência. achou que merecia ajoelhar nos cacos para acordar desses eternos segundos com a dor que causariam contra sua pele. já não sabia o que fazer. já não sabia o que era o tempo. só via  o líquido escorrer. com ele, escorriam-se outras coisas. outra perda. outra zica. outro item para a lista de tudo o que está dando errado. 

"o que aconteceu?", gritam por ele. 
silêncio. 
"nada, foi só meu perfume...", responde em voz alta. 
"...  e minhas esperanças também", complementa com um murmúrio para si.

Tuesday, October 21, 2008

.do.recado.que.não.será.entregue.

Quis suspirar, quis borbulhar. Quis que meu suor frio-polar se tornasse um rio solar em pleno carnaval. Quis tremedeiras libidinosas. Quis o gosto das tuas palavras leves em meus lábios. Quis me perder e só me encontrar no desejo. 
.
Perdi-me. Montei em um sonho como água que monta em pedra. Abandonei a respiração sem olhar para trás. Escorreguei. No meio de tanta água eu fui minha própria ilha. Ilha eu, erro meu. Deixei as portas abertas. E agora? 
.
Agora recolho... e engulo a coreografia das nossas línguas que nunca aconteceu. 
.
Você se informou tanto sobre quem amou de verdade e nem pensou um só instante que podia me destruir. Talvez seja o início de uma fase que ainda não aconteceu. Fecho as portas, os olhos, os sentidos. Sem planos, sem sonhos, sem pensamento hipotético... hipatético.

Saturday, December 8, 2007

.a.descrição.


Eu sou uma árvore que se sustenta por séculos. Eu sou um espelho, me olhe e verás uma parte de ti em mim, me derrube e uma parte de ti também se quebra. Eu sou homem; eu sou mulher. Eu sou todos os homens que sustentaram seu sonhos. Eu me escondo no canto de um quarto com medo de que me vejam. Eu sou bonito. Eu sou um talento desperdiçado... eu sou um desperdício. Eu sou amado, porém também odiado. Eu sou uma pena que é carregada pelo vento, sem vontade própria. Eu sou uma pedra que de tão pesada não pode ser movida.  Me conheces porque eu estou em você e você em mim. Eu sou o negro que balança numa corda pendurado numa árvore antiga. Eu dirigi aviões a prédios e me odeio por isso, no entando, não posso ignorar o criminoso por debaixo do meu chapéu. Eu sou um Artista. Eu sou a preguiça. Eu sou o palhaço. Falo sério. Não tenho comido há dias, estou morrendo. Eu sou a voz de milhões de pessoas gritando em milhões de topos de montanhas que ecoa por milhões de milhas por milhões de anos. 
Sou tudo isso, sou todos.

a.ordem.

De número dois.

Agora legal.